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No momento da abertura oficial da 6a. Reunião
Ministerial da OMC em Hong Kong, movimentos e organizações
da sociedade civil de todo o planeta estarão protestando,
em marcha a ser iniciada no Victoria Park. Contra os possíveis
rumos desta reunião, e contra a agenda da OMC que só
pode beneficiar as grandes corporações, a marcha tem
como slogans principais o pedido aos delegados na reunião
oficial para que “fiquem ao lado de seu povo”, “pela
rejeição da rodada anti-desenvolvimento da OMC”
e “nenhum acordo é melhor que um mau acordo”.
A Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip),
assim como a aliança continental à qual ela se filia,
a Aliança Social Continental, estarão presentes, marcando
a adesão dos movimentos sociais do continente ao evento.
Aliás, a representação da sociedade civil brasileira
em Hong Kong, composta de 27 membros, incluindo a CUT, a CONTAG,
a FETRAF, o MST, o Movimento de Mulheres Camponesas, o IDEC e outras
organizações é de longe a maior delegação
latino-americana presente ao evento, onde estará lado a lado
com milhares de ativistas de todo o mundo.
E por quê estamos protestando?
O direito de proteger a agricultura familiar e camponesa e a segurança
alimentar e nutricional dos países em desenvolvimento encontra-se
ameaçado pelas negociações em curso no âmbito
da OMC, que longe de se preocuparem com esses temas, priorizam a
ampliação da liberalização que beneficia
as grandes tradings comerciais internacionais. A esse respeito,
mesmo o G-20, grupo do qual o Brasil faz parte, busca apresentar
propostas no sentido de definir produtos especiais e salvaguardas
que possam representar defesas face ao risco da liberalização
absoluta.
Não se trata também de fazer mais concessões
na área de bens industriais que podem complicar ainda mais
a já difícil situação do emprego no
país, e que tem aparecido nas discussões como a possibilidade
de reduções bruscas de tarifas, ou ainda de usar as
fórmulas de redução sobre as tarifas efetivamente
praticas, em geral bem menores do que as consolidadas (registradas
na OMC, e que apresentam margem para poder defender alguns setores,
caso necessário). Essas concessões também podem
gerar novas pressões para redução dos salários,
uma vez que reforçarão o chamado “discurso de
competitividade”.
Tampouco é possível fazer novas concessões
na área de serviços, quando o país ainda se
debate com o processo de desregulamentação dos anos
90, que gerou enormes prejuízos na prestação
de serviços públicos de qualidade, e resultou em um
grande e indefensável aumento de tarifas que apenas garante
os lucros das empresas que participaram das privatizações.
A União Européia aqui tem insistido na discussão
de parâmetros para a ampliação da abertura em
serviços, o que se contrapõe inclusive à fórmula
tradicional de pedido e oferta, país a país, que rege
essa negociação, desde que iniciada.
Menos ainda novas concessões em propriedade intelectual
que atentem contra os programas sociais de distribuição
de medicamentos ou de recolocar de forma aprofundada o tema de compras
governamentais pela janela aos 45 minutos do segundo tempo, como
uma forma de demonstração de boa vontade, mas abrindo
caminho para perder a autonomia de usar esse mecanismo para alavancar
o desenvolvimento local e nacional.
O Brasil deve exercer o direito de defender a saúde pública,
a indústria nacional, a agricultura familiar e o amplo acesso
a medicamentos, e não ceder às constantes pressões
da indústria farmacêutica, representada nas negociações
por países como os EUA.
Insistimos em tentar alterar esse cenário previsível
para que a lógica das negociações de comércio
internacional possa ser profundamente alterada no sentido de atender
aos interesses dos povos, e por isso nos manifestamos e protestamos.
Isso pode evidenciar a lógica de mais e mais concessões
que a OMC impõe aos países menos desenvolvidos e colocar
em discussão a própria OMC. O caminho de tentar maquiar
o fracasso e os limites da negociação até o
final do ano – reforçado pela pressão dos setores
nacionais que se dispõem a resumir a política de negociação
do país a uma tentativa de conseguir vantagens setoriais
de mercado em troca de enormes concessões – só
acabará impondo novas perdas.
Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2005
Rede Brasileira pela Integração dos Povos –
REBRIP
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