Via Marcha Mundial das Mulheres

29 de setembro, sábado, foi um dia de mobilização nacional intensa. Mulheres do campo e da cidade se organizaram em todas as regiões do país para expressar seu repúdio à candidatura de Jair Bolsonaro. A partir da tag #EleNão, o que se colocou foi a reivindicação de uma agenda feminista para o país, que seja capaz de combater o fascismo durante e depois das eleições.

Natal (RN)

Natal (RN)

#EleNão

Bolsonaro é, atualmente, o representante da extrema direita nas eleições, espalhando abertamente ideias fascistas e violentas, que incitam o ódio e pretendem aprofundar as desigualdades entre homens e mulheres. “Construimos esse ato hoje porque não queremos que o fascismo e o conservadorismo dominem o nosso país”, disse Renata Freire, militante de Fortaleza.

Maceió (AL)

Maceió (AL)

Seu programa econômico, que segue a linha neoliberal de privatizações e de cortes em direitos sociais e trabalhistas, também pode resultar em um aprofundamento generalizado das desigualdades sociais. Como já vimos no governo golpista de Temer, as mulheres e a população negra são as primeiras a serem atingidas por políticas econômicas que priorizam as elites e o capital internacional.

“Somamos nossas milhares de vozes, não somente contra os princípios anti-democráticos, fundados no machismo estrutural, presentes no discurso de Bolsonaro, mas endossamos também que não compactuamos com programas neoliberais, que agravam a pobreza e recolonizam a vida das mulheres ao redor do mundo”, afirmou a militante Isabella Marques, de Recife.

São Paulo (SP)

São Paulo (SP)

Por todo o país

Os atos aconteceram tanto em capitais como em cidades menores do país. Nas capitais, como São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro, Natal, Belo Horizonte, João Pessoa, Recife, Maceió, Porto Alegre e Salvador estiveram presentes dezenas e até centenas de milhares de pessoas. No interior, os atos também foram expressivos, reunindo centenas ou até milhares de pessoas mesmo nas cidades menores.

Cajazeiras (PB)

Cajazeiras (PB)

A Marcha Mundial das Mulheres esteve presente com grandes batucadas, panfletos, adesivos, cartazes e lenços. Os blocos, sempre muito animados e combativos, entoavam músicas como “As bi, as gay, as trans e as sapatão são contra Bolsonaro e vão fazer revolução”, “Ô Bolsonaro, vai se ferrar, a mulherada vai te derrubar” e “As mulheres estão na rua por libertação, o Jair Bolsonaro são manda na gente, não”.

Porto Alegre (RS)

Porto Alegre (RS)

Também aconteceram colagens de lambe-lambe com dizeres como “Eu luto, tu lutas, nós derrotamos o Bolsonaro”. A recusa à figura de Bolsonaro é a recusa a uma política que irá perseguir direitos e liberdades das mulheres. Em algumas cidades, as mulheres organizaram shows, saraus e demais atividades culturais para encerrar este dia de luta.

Campo Grande (MS)

Campo Grande (MS)

Pela vida das mulheres

O sábado não foi o único dia de luta da semana para as feministas. Sexta-feira, 28 de setembro, foi o Dia Latino-americano e Caribenho de Luta pela Legalização do Aborto. Em diversas partes, as mulheres organizaram manifestações, panfletagens, ações que levassem a pauta às ruas para dialogar com a população.

Rio de Janeiro (RJ)

Rio de Janeiro (RJ)

Em São Paulo, as mulheres se encontraram no MASP para um ato. No Rio de Janeiro, ocuparam a Cinelândia em defesa da legalização do aborto. As mulheres de Salvador organizaram uma Virada Feminista na Praça da Piedade. As mulheres de Recife fizeram o Festival pela Vida das Mulheres, com atividades culturais feministas.
Nas redes, a Frente Nacional pela Legalização do Aborto organizou a 3ª edição da Virada Feminista pela legalização do aborto, edição em homenagem a Marielle Franco. Foram 24h de divulgação de vídeos e textos sobre o direito ao aborto e a luta antifascista, reunidos na página da Frente.Em Fortaleza, organizaram um ensaio aberto da batucada feminista na Praça da Gentilândia, no Benfica. Em Acarape (CE), fizeram uma roda de conversa com estudantes sobre o feminismo no combate ao fascismo, na UNILAB.

Salvador (BA)

Salvador (BA)

Mulheres em marcha permanente

Reforçamos a convocação da Frente Brasil Popular para toda a militância estar nas ruas em campanha contra o golpe e o fascismo, defendendo a retomada da democracia e a eleição de quem está comprometido com as lutas e os direitos do povo brasileiro: a revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos, o combate aos agrotóxicos, a educação pública e de qualidade etc.

O enfrentamento ao fascismo não se encerra neste domingo, 7 de outubro. Serão mais três semanas de mobilização constante, conversa direta com as pessoas para que possamos enfraquecer Bolsonaro e fortalecer um projeto de país pensado para as mulheres, juventudes, população negra, LGBTs e classe trabalhadora.

Mas também não podemos achar que política se faz só durante as eleições. Depois do mês de outubro, temos que continuar nas ruas, nos bairros, nas redes e roçados, denunciando as injustiças, defendendo a democracia e lutando por uma nova sociedade, que seja feita por igualdade e por liberdade, com garantia e expansão de direitos.

 

As fotografias dos atos estão disponíveis em nosso Flickr.