nº 02 - junho/2006
Boletim Em Movimento
Marcha Mundial das Mulheres Comitê Campinas

ATENÇÃO! Plenária Municipal da Marcha de Campinas
As Marias de Campinas preparam Plenária Muncipal para as participantes da Marcha na cidade. As mulheres serão multiplicadoras das experiências e das metas para a nossa melhora na qualidade de vida.

AGUARDEM PARA OS PRÓXIMOS DIAS O ENCONTRO. DIVULGAREMOS A DATA E O LOCAL

Saiba como foi o I Encontro Nacional da MMM

A Marcha realizou de 25 a 28 de maio em Belo Horizonte, o I Encontro Nacional com a participação de 460 delegadas de 22 estados e de movimentos sociais autônomos. Campinas contou com a presença das delegadas, Iva (Pastoral Operária/Mulheres da Periferia), Lourdes (Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos), Luciana (Coletivo de Mulheres do PT), Regina Simião (Sindicato das Trabalhadoras Domésticas). A região também esteve representada pelas companheiras Edna, de Sumaré e por Marcelle, de Piracicaba.
O Encontrou possibilitou a troca de experiências entre mulheres de diferentes realidades do país. Desde as índias amazônicas e pantaneiras, as quebradeiras de coco do Maranhão (que recebem R$ 0,25 por quilo de coco quebrado, e elas conseguem ao final do dia em média, apenas 3 quilos), as mulheres do campo (além da violência pelos latinfundiários, a criminalização pela mídia, elas sofrem o processo de monocultura, que deixa o solo sem condições para hortas e criação de animais) e as mulheres da cidade (com problemas na falta de moradia e trabalho).Discutimos estratégias sobre os desafios de organização e construção nos estados e nacionalmente. Propusemos estruturar políticas para nossas finanças, comunicação e para a formação.
Nesse I Encontro, a Marcha reafirmou a construção da identidade política e das análise da sociedade marcada pela mercantilização do corpo, da vida, da relação entre as pessoas e delas com a natureza.
Alguns temas de discussão, já estão nas ações da Marcha. Outros no entanto, ainda estamos conhecendo. Os grupos se dividiram e debateram sobre: violência sexista, aborto, prostituição e tráfico sexual, sexualidade, educação não sexista, luta anit-racista, mercantilização e livre comércio, soberania alimentar e reforma agrária, trabalho e igualdade salarial, e reforma urbana.

DESTAQUE! gltt

VI Parada do orgulho de Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais de Campinas

25/06 - domingo

LARGO DO PARÁ - 13 horas

"Homofobia é CRIME! Defender o Respeito é dever de toda a sociedade", este é o tema de trabalho em 2006, para a comunidade GLTTB. O movimento engloba os grupos de Campinas e região do Fórum de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais. A luta é contra o preconceito e a discriminação à diversidade sexual. Os realizadores esperam a participação da sociedade e afirmam que a Parada será uma "aula de cidadania".

Confira a programação completa e acesse:

http://identidade.campinas.sites.uol.com.br http://www.e-jovem.com.br

UNIÕES HOMOAFETIVAS LÉSBICAS SÃO RECONHECIDAS PELA JUSTIÇA

Em abril, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concedeu à uma cidadã lésbica, o direito de posse dos bens que comprou junto com a companheira falecida. Durante 16 anos L.L.C.N. foi companheira de D.O.F. que faleceu em 1996. Elas compraram juntas um apartamento. A decisão anula o pedido de partilha já realizada pela família de D.O.F. Os parentes alegaram que o fato das duas mulheres terem comprado um imóvel em conjunto, não representava uma união estável. Na ação, L.L.C.N prova a estabilidade do relacionamento delas, que incluiu a adoção de um garoto.
Também no começo de abril, outra decisão judicial foi favorável a comunidade GLBTT. O mesmo Tribunal deu o direito a um casal de lésbicas para adotar duas crianças, dois irmãos biológicos de 3 e 2 anos. As mulheres são companheiras desde 1998. Para o desembargador, Luiz Filipe, o importante é o bem estar das crianças. "É hora de abandonar de vez os preconceitos e atitudes hipócritas desprovidas de base científica, adotando-se uma postura de firme defesa da absoluta prioridade que constitucionalmente é assegurada aos direitos das crianças e dos adolescentes. O direito à convivência familiar constitui prioridade absoluta. A pretensão da adotante é dar aos filhos a segurança de que terão direitos. A negativa apenas deixaria crianças ao desabrigo de um vínculo de filiação que já existe”.
A Vara da Infância, da Juventude e do Idoso do Rio de Janeiro, também concedeu permissão a um casal de lésbicas para a adoção de uma criança de 2 anos e 6 meses. Elas mantêm uma relação estável há cinco anos e lutavam na justiça há três anos por esse direito. As mulheres possuem a guarda provisória da criança até agosto de 2006. Depois dessa data o sobrenome de ambas será incluído ao nome do garoto. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro verificou que não há nada especificado na Constituição Federal, que impeça a adoção de crianças por casais homossexuais. A mãe biológica do menino o deixou no Abrigo Lar Luz e Amor. Para o juiz, Sandro Pithan, os requisitos legais foram seguidos e provou-se as boas condições para a criação. “Uma vez que há convivência de fato com a criança, assistência afetiva, moral e material”.

Essa Não !
13 de maio sem comemorações
A data reforça a desigualdade

13 de maio, dia da Libertação dos Escravos, não é uma data de comemorações para os afro brasileiros. Em Campinas não houve celebrações, exposições ou festas. A cidade recebeu a triste confirmação do processo de exclusão em que vivem os negros, na Região Metropolitana de Campinas (RMC). O estudo foi realizado por pesquisadores do Centro de Análises e Estudos Socioeconômicos de Campinas, Caesec, da Faculdade de Campinas - Faccamp. A pesquisa usou como base o censo de 1991 e 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.
A RMC tem aproximadamente de 2,4 milhões de habitantes e 550 mil negros. Campinas tem o maior índice de população negra 24%, os brancos somam 41,1%.
O total da população branca na RMC é de 74,7%. A formação teve início pelo processo de imigração de europeus no final do século XIX e início do século XX, para substituir a mão de obra escrava nas lavouras de café. No resto do Brasil, os brancos são 53,7% e os negros 44,7%.
Na economia a distribuição reforça essa desigualdade. Os que ganham até 1 salário mínimo entre os brancos são 7,5%, os negros são 10,6%. Acima de 20 salários, os brancos são 5,6% e os negros, apenas 0,7%. Os empregadores brancos são 4,4,% e os negros 0,1%. As domésticas negras são 96,7% e as brancas 75,4%. Na educação pessoas acima de 15 anos com analfabetismo, entre os negros são 21,5%, e os brancos 8,3%.
Em todos o país a expectativa de vida dos negros é menor. Eles têm menos acesso a educação, saúde e ganham menos. As mulheres negras se encontram em situação pior, que os homens negros e que as mulheres brancas. O bem estar e a remuneração mais alta, ainda é para o homem branco. A qualidade de vida para pessoas acima de 65 anos na RMC, na população branca é de 6,4%, para os negros 5,8%.

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO POVO BOLIVIANO!
Em defesa da Soberania Nacional
 

Movi Cultura

A Marcha Mundial das Mulheres assim como os diversos movimentos sociais reconhecem o direito garantido pela Constituição, do povo boliviano em controlar suas riquezas naturais. O Presidente Evo Morales atendeu ao desejo da população pobre (maioria) do país, em reconstruir a soberania nacional e a democracia. Em 1° de maio Morales declara a nacionalização dos hidrocarbonetos, gás, petróleo e derivados, além das refinarias, postos e distribuidores. O Estado boliviano passa a ser sócio majoritário dessas indústrias, detendo 50% mais 1 das ações.
Com o aumento da política neoliberal petrolíferas internacionais se instalaram na Bolívia, monopolizando a produção e a distribuição dos produtos. É aí que entra a participação da Petrobrás. O governo Fernando Henrique vendeu 64% da empresa brasileira para investidores estrangeiros. A Petrobrás com sede na Bolívia controlava 46% do gás no país. A Bolívia tem a segunda maior reserva do gás do continente, seguida da Venezuela. O valor estimado gira em torno de U$ 100 bilhões de dólares. A luta pelos recursos naturais é decisiva para retirar da pobreza, 6 milhões de bolivianos que vivem em situação miserável, a população total do país é de 9 milhões de habitantes.
Nós mulheres socialistas e feministas sabemos como é difícil avançar na luta. A estatização foi um gesto de emancipação da Bolívia. Um gesto em defesa da identidade e autonomia do povo boliviano.
Há anos existe a pressão popular pela nacionalização dos hidrocarbonetos, e o gás é um dos principais produtos de exportação do país. O líder do partido Movimento para o Socialismo - MAS, Evo Morales é sindicalista desde 1981 da categoria dos cocaleros, os campesinos plantadores de coca. Em 2005, também liderou as manifestações a favor da estatização dos hidrocarbonetos, que derrubaram o presidente, Carlos Mesa, e forçaram o Congresso a convocar uma Assembléia Constituinte sobre a construção da Soberania Nacional. Em dezembro, Morales é eleito presidente da República, com 53,74% dos votos. Pela primeira vez na Bolívia, um indígena sobe ao poder pelo voto popular.
Mais informações sobre o apoio da MMM a nacionalização do gás acesse: www.sof.org.br/marcha

Errata: Em Movimento se desculpa pelo equívoco na edição anterior (nº01), na reportagem "8 de março diferente em Campinas". Divulgamos que o nome do vereador era Carlos Roberto Signorelli. O correto é: Carlos Francisco Signorelli.
 

Para homenagear o mês de luta e da diversidade sexual contra o preconceito Em Movimento recomenda o filme Meninos não Choram, de 1999.

glbtt

Saiba como Teena Brandon se tornou Brandon Teena e passou a reivindicar uma nova identidade, a masculina. A história se passa em uma cidade rural, no interior do conservador Estados Unidos.

MOVI CULTURA também valoriza nossas manifestações regionais. O IV Arraiá Julino da Comunidade Jongo Dito Ribeiro tornou-se tradicional ponto de encontro para quem gosta de cultura popular, samba de roda, capoeira e caldo para esquentar ainda mais a noite.

Local: Casarão do Barão - Rua: Manoel Becker, s/nº Barão Geraldo - Estrada da Rhodia

08 de julho - 20 h

Comitê da Marcha Mundial das Mulheres de Campinas
Contato: marchacampinas@yahoo.com.br