Apresentação O que é violência sexista? Por que acontece? Tipos de violência sexista A realidade da violência sexista no Brasil Como essa realidade se mantém Como se combate a violência no Brasil O uso desta cartilha Fontes consultadas Créditos


Baixe a Cartilha em Formato PDF

Por que ACONTECE?

De onde vem essa idéia de subordinação, de dependência, de inferioridade das mulheres? Por que alguns homens agem como se elas fossem suas propriedades e tratam-nas como bem entendem? Por que a sociedade deixa parecer que as mulheres devem estar sempre disponíveis para os homens?

Por que muitas mulheres se calam diante de situações de violência? Por que as mulheres têm salários mais baixos que os dos homens, e por que são poucas as mulheres nos espaços de poder, de decisão?

É comum ouvirmos que vida de mulher é assim mesmo, como se fosse parte de um destino. Quando olhamos a História, vemos que a vida de mulheres e homens muda, e que as coisas não são sempre do mesmo modo. Para responder a tudo isso, precisamos entender o que são relações de gênero, ou seja, nós nascemos iguais, apenas com a diferença de sexo.

É importante dizer que a desigualdade entre homens e mulheres não é natural, mas construída pela sociedade, que forma as mulheres para serem submissas e os homens para serem os donos da situação.

As mulheres não são frágeis e doces por natureza, mas são educadas para serem assim. Desde bebês, meninos e meninas são tratados de forma diferente, esperam-se coisas diferentes de cada um, permitem-se coisas diferentes para cada um: o feminino e o masculino. Mas esses papéis não são apenas diferentes: o que é feminino é desvalorizado em relação ao que é masculino. Por exemplo, é como se fizesse parte do destino das mulheres dedicar-se prioritariamente às tarefas
domésticas, à maternidade.

É esse modo de educar e de socializar que inferioriza as mulheres diante dos homens. Muitas vezes, somos consideradas coisas, objetos de posse e sob poder dos homens, e portanto, inferiores e
descartáveis.

DESIGUALDADE É A BASE DA VIOLÊNCIA

Mas não é apenas a construção das características masculinas e femininas que explica essa desigualdade e as relações de poder dos homens sobre as mulheres.

Que mais precisamos entender então? Quando olhamos para a vida das mulheres e homens, vemos que o que organiza a vida de cada um é o lugar que ocupa no trabalho. Ou seja, o que os homens fazem e o que as mulheres fazem?

Na sociedade capitalista em que vivemos, alguns poucos exploram a maioria para terem seus lucros. Porém, as mulheres são exploradas de maneira diferenciada, pois também sofrem a discriminação de gênero.

As mulheres que trabalham recebem menos que os homens quando realizam a mesma tarefa; e as profi ssões e funções, como o emprego doméstico onde as mulheres se concentram, são desvalorizadas em relação àquelas em que há mais homens. Isso é produto da desvalorização do trabalho da mulher, a partir da divisão sexual do trabalho.

E o que é a divisão sexual do trabalho? É fácil percebê-la olhando para o nosso
dia-a-dia. Nós, mulheres, somos tratadas como se nossa função principal e inevitável
fosse a maternidade. Dessa forma, caberia a nós o cuidado com os fi lhos e com o marido, logo, o trabalho doméstico fica na nossa mão. Mesmo quando as mulheres também trabalham por diária ou como assalariadas, continuam responsáveis por cuidar da casa, dos filhos e do marido em uma jornada intensiva de trabalho (trabalho doméstico e trabalho para ganhar uma renda). Por isso, ainda hoje, muitas mulheres, mesmo as que vivem na
cidade, abrem mão de exercer um trabalho remunerado por conta da dificuldade de
acumular todas essas tarefas.

A divisão sexual do trabalho parte do princípio de que os homens são responsáveis pelo trabalho produtivo (agricultura, pecuária e tudo que se associa ao mercado) e as mulheres, pelo trabalho reprodutivo (trabalho doméstico, cuidados com a horta e os pequenos animais e tudo o que é feito para uso e consumo próprio, além da reprodução da própria família,
como cuidados com os filhos). Ou seja, o trabalho doméstico seria coisa de mulher; e quando a mulher vai para a roça, não vêem como trabalho, mas sim, como ajuda ao homem.

Nos cargos públicos também é possível verificar essa divisão de que falamos, que reserva às mulheres um lugar subordinado na sociedade. As mulheres são minoria lá, o que também significa dizer que as principais decisões da sociedade são tomadas sem a participação delas, inclusive decisões que dizem respeito ao seu corpo, aos seus direitos.

A igualdade entre homens e mulheres, a autonomia das mulheres em relação aos homens são condições indispensáveis para o combate ao machismo e à violência sexista. A situação de dependência afetiva, fi nanceira, a falta de amor próprio fragilizam ainda mais as mulheres, vitimizando-as diante da violência.
 

A VIOLÊNCIA É VISTA COMO NATURAL

Naturalização é quando as coisas começam a parecer naturais, normais, e as pessoas se acostumam e se acomodam diante delas, mesmo quando não há nada de normal, como no caso da violência.

Em alguns momentos, as situações de violência vêm mascaradas de proteção, amor, raiva. Namorados ou maridos que proíbem as mulheres de usar este ou aquele tipo de roupa, uma ou outra cor de esmalte, de cortar o cabelo: a princípio, essas podem não parecer formas de controle sobre as mulheres.

Às vezes, isso tudo é visto como cuidado ou ciúmes. Mas formas de controle como essas podem passar facilmente a situações de violência mais explícita. É como se o marido ou namorado fosse dono de sua companheira, como se ela tivesse o papel primordial de servi-lo, como se ela estivesse presa a ele.

Também parece natural que as mulheres têm que fazer sozinhas o trabalho doméstico, que é obrigação sua. Esse fato, além de esconder a divisão sexual do trabalho e o número maior de horas que a mulher trabalha, também faz parecer que o homem pode cobrar, dizer que o trabalho não está bom, porque ele é o chefe e dono da mulher. Basta ver que a linguagem
expressa bem isso: o homem se refere à “minha mulher”, enquanto no caso dele, é dito marido ou esposo.

Mesmo quando a mulher é considerada apenas dona de casa, ela acaba realizando muitas tarefas voltadas à produção e ao sustento da casa. Além disso, o homem só fica liberado para ir trabalhar porque há uma mulher lavando sua roupa, limpando sua casa, fazendo sua
comida, cuidando de seus filhos.
 


topo