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No último sábado (14) a Livraria da Editora Expressão Popular, no centro de São Paulo, recebeu o lançamento da publicação “Raízes da resistência – construindo territórios feministas e agroecológicos no Brasil”. O debate contou com a participação de companheiras que contribuíram com a publicação: Natália Lobo, agroecóloga, da SOF e militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Sheyla Saori, agrônoma, da SOF, militante da MMM e do GT de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA); Rita Cavaliere: agricultora urbana, cursou Olericultura Orgânica, trabalha num terreno de comodato da Enel há 20 anos com o É Hora da Horta, um espaço de educação ambiental e agroecologia; e Nadya Araújo Guimarãoes: professora titular sênior do Departamento de Sociologia da USP, pesquisadora do CNPq associada ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e membro da Academia Brasileira de Ciências.

O livro traz à tona as vozes dessas mulheres, enraizadas nas cozinhas, hortas, campos, florestas, solos e rios do Vale do Ribeira (SP) e da Zona da Mata (MG). Confrontado com os pontos de vista de agricultores e de atores dos setores agroindustrial, de mineração e ambiental, o livro apresenta novos conhecimentos, no cruzamento entre os estudos feministas, a economia e a ecologia políticas e a agroecologia, ao mesmo tempo em que alimenta as possibilidades de alternativas concretas.

“Estruturado de forma cuidadosa, explora, portanto, as vivências das mulheres agricultoras por meio de estudos de caso detalhados, enraizados em metodologias participativas que destacam a importância da reprodução da vida e suas interconexões com a natureza e a economia. Ao articular teoria e prática, oferece uma compreensão profunda das dinâmicas de gênero e poder na agricultura familiar, lançando luz sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, como ameaças ambientais e práticas econômicas dominantes. Mais do que um estudo acadêmico, o livro pode ser instrumento para catalisar uma mudança substantiva ao evidenciar as resistências das agricultoras por meio da agroecologia, demonstrando como essas práticas não só sustentam a biodiversidade agrícola, mas também fortalecem comunidades e promovem formas alternativas de desenvolvimento baseadas no cuidado e na sustentabilidade. Assim, ao oferecer uma análise profunda e acessível, o livro se posiciona como uma ferramenta para inspirar políticas públicas mais inclusivas e fortalecer movimentos sociais em prol de um futuro mais justo e equitativo para todos, especialmente para as mulheres agricultoras”.

O Brasil é um dos principais fornecedores de matérias-primas para o resto do mundo, além de ser um ator importante nas políticas climáticas e ambientais internacionais. Entre promessas de renda, evidências de contaminação (agrotóxicos, mineração) e de destruição ambiental (erosão dos solos, desmatamento, colapso da biodiversidade) e dúvidas sobre as soluções propostas (pagamentos por serviços ecossistêmicos, mercados de carbono), as famílias e as comunidades estão divididas.

A nível local, a linha divisória entre a integração a diversos tipos de mercado e o trabalho de cuidado socioambiental está estreitamente ligada às formas dominantes de masculinidade e feminilidade. Entre os dois, a agroecologia é, a um só tempo, uma resistência à mercantilização e um processo de transformação de mulheres e homens.

A obra é um resultado do projeto GENgiBRe, “Relação com a natureza e igualdade de gênero. Uma contribuição à teoria crítica baseada em práticas e mobilizações feministas no Brasil”. Esse projeto foi desenvolvido graças a uma parceria entre várias instituições do Brasil e da França: Institut de Recherche pour le Développement (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, IRD, França), Universidade Federal de Viçosa (UFV, Brasil), Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA–ZM, Brasil), Sempreviva Organização Feminista (SOF, Brasil) e Universidade de Toulouse Jean Jaurès (UTJJ, França). Recebeu financiamento da Agence Nationale de la Recherche (Agência Nacional de Pesquisa, ANR, França; projeto ANR-20-CE41-0002-01).

Fotos: Noelly Castro