No último dia 6 de agosto, a AMESOL realizou a oficina “Economia solidária, criativa e feminista” com apoio da Unisol Brasil em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, capital. A atividade fez parte do projeto “Fortalecimento das trabalhadoras promovendo a economia solidária, criativa e feminista” e aconteceu no espaço do Movimento de Atingidos e Atingidas por Barragens (MAB).

A oficina teve por objetivo apresentar a economia solidária e feminista partindo de reflexões coletivas sobre a realidade das mulheres e o fazer artesanal. Com a metodologia da educação popular feminista, o ponto de partida foi a experiência de produção de artesanato e alimentação das participantes para abordar questões sobre a divisão sexual do trabalho, autogestão e o comércio justo e sustentável. Esta oficina faz parte de um ciclo de formações e feiras que está sendo realizado pela AMESOL em 2026, com intenção de fortalecer a geração de renda das suas integrantes e de divulgar a Associação e a proposta da economia solidária feminista.

Participaram da oficina militantes da Marcha Mundial das Mulheres de São Paulo (MMM – SP) e do MAB de diversos territórios da zona leste da Região Metropolitana de São Paulo (São Miguel Paulista, Perus e Guarulhos) que se organizam para denunciar a violação dos direitos das populações atingidas por barragens e por eventos da crise climática. Além da formação, mobilização popular e ações de reivindicação, o MAB também tem se organizado com coletivos de costura nos territórios onde há grupos organizados. A oficina foi um momento para conhecer a produção, tanto coletiva de costura quanto individual das mulheres, que produzem peças de artesanato e na área da alimentação; e para conversar sobre formas de autogestão e sobre a importância da justa remuneração para o trabalho das mulheres.

Também participou da oficina a equipe da Coopellap, cooperativa de costura do Jardim Lapenna, bairro vizinho de União de Vila Nova, onde aconteceu a oficina. A Coopellap é uma iniciativa criada em 2025 por moradores do Jd Lapenna com a motivação de ser um grupo para geração de renda e para fomentar a economia solidária no bairro. Elas atuam tanto com a produção de peças autorais como com encomendas na produção de estojos, bolsas, aventais etc.

A AMESOL apresentou sua experiência na mobilização do debate feminista dentro do campo da economia solidária, contando da história de criação desde 2013 e das iniciativas econômicas com diferentes tipos de produção (individual, familiar, coletiva) que integram a Associação. Também contou das experiências de organização de arranjos e cadeias produtivas, principalmente na área da costura; da organização de feiras e espaços de comercialização; além do fundo rotativo que tem por objetivo fortalecer a associação e as associadas e ser uma estratégia de apoio para situações de emergência. Foi passado um vídeo que apresenta a AMESOL:

O MAB, por sua vez, trouxe o debate sobre o impacto da barragem da Penha na vida das famílias e das mulheres moradoras de União de Vila Nova; sobre as brigadas populares organizadas no período da eleição; e sobre as ações que vem desenvolvendo para conscientização sobre o El Niño e os impactos dos eventos climáticos nas periferias urbanas. Também apresentou a experiência das Arpilleras e como os grupos de mulheres têm utilizado o bordado como uma estratégia de encontro, mobilização e reivindicação política.

Além da troca de experiência e do fortalecimento de redes e conexão, a oficina também provocou a motivação para novos encontros entre os grupos e mulheres participantes.