Entre 9 de 12 de abril, no Rio de Janeiro, cerca de 30 empresas israelenses cúmplices da ocupação e apartheid na Palestina estarão entre as expositoras da Laad ( Latin America Aerospace and Defence ), chamada pelos movimentos sociais como “feira da morte”. O Brasil se converteu num dos cinco maiores importadores das chamadas tecnologias de defesa e segurança de Israel nos últimos anos e tem sido utilizado como um mercado bilionário pela potência ocupante. A Laad é uma grande oportunidade de se expandirem ainda mais os lucros com o apartheid israelense e uma afronta aos direitos humanos.

A patrocinadora oficial da Laad é a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que mantém contratos com a israelense Elbit Systems, uma das expositoras da feira que atua na área de tecnologia militar, construindo os Vants (ve­ículos aéreos não tripulados) que foram utilizados nos recentes ataques a Gaza. É uma das 12 companhias envolvidas na construção do muro do apartheid , na Cisjordânia, na Palestina ocupada. Em outubro de 2012, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o relator especial Richard Falk chamou ao boicote à Elbit. No Brasil há 15 anos, a Elbit se faz presente por meio das empresas AEL, Periscópio Equipamentos Optrônicos S/A e Ares Aeroespacial. Através dessa última subsidiária, recentemente, a Elbit ganhou dois novos contratos milionários com o Exército brasileiro. Com o objetivo de facilitar os negócios com as empresas israelenses, as Forças Armadas Brasileiras mantêm desde 2003 um escritório em Tel Aviv. Ainda sobre a Elbit, o Governo do Rio Grande do Sul pretende expandir sua presença no Brasil e, com isso, favorecer a desnacionalização industrial. Além de ampliar a cumplicidade do Brasil com um projeto de polo aeroespacial baseado na sua subsidiária AEL em Porto Alegre. Com isso, a capital gaúcha pode vir a se tornar o polo de pesquisa militar israelense mais importante no exterior. Tal projeto, financiado com dinheiro público, também concede vantagens aos negócios baseados nos crimes cometidos por Israel.

Outra expositora da Laad e fornecedora das Forças Armadas Brasileiras é a Israel Aircraft Industries, que produz equipamentos para as forças de ocupação, o muro do apartheid e os assentamentos ilegais. No Brasil, formou uma joint venture denominada EAE Soluções Aeroespaciais com o Grupo Sinergy e sua subsidiária, a Bedek. Utiliza os centros de produção e manutenção da TAP M&E Brasil nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Porto Alegre.

De olho sobretudo na Copa de 2014 e nas Olímpiadas de 2016, a se realizarem no Brasil, tem sido comum o intercâmbio de delegações entre este país e Israel. Segundo a imprensa, o governo brasileiro prevê investimentos de R$ 1,17 bilhão em plano de segurança para a Copa do Mundo. Israel quer abocanhar boa parte desse filão, negócios que serão facilitados pela Laad, um dos mais importantes eventos do setor na América Latina. O Rio de Janeiro, que o sediará, comprou recentemente da israelense Global Shield oito novo blindados (os chamados caveirões usados pela Polícia Militar) – os quais são empregados na repressão sobretudo da população jovem, pobre e negra do estado.

As organizações da sociedade civil brasileira que integram a Frente em Defesa do Povo Palestino-SP e a campanha BDS Brasil (boicotes, desinvestimento e sanções) repudiam a realização da “feira da morte” e a presença no Brasil de empresas cúmplices do apartheid e ocupação a que estão submetidos os palestinos. Exigimos a ruptura imediata de acordos e negócios militares com Israel, os quais violam as obrigações legais internacionais do Brasil.

Assinaturas:

BDS Brazil Campaign
Frente em Defesa do Povo Palestino-SP
Centro Cultural Árabe-Palestino do Rio Grande do Sul
Comitê Brasileiro de Defesa dos Direitos do Povo Palestino
Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
Frente Palestina da USP (Universidade de São Paulo)
Anel – Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!
Apropuc-SP – Associação dos Professores da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
CAS – Coletivo de Artistas Socialistas
Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada
Coletivo de Mulheres Ana Montenegro
Coletivo Periferia, Nossa Faixa de Gaza
Comitê Indígena Revolucionário
Comitê Pró-Haiti
CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular
CUT – Central Única dos Trabalhadores
DCE Livre da USP “Alexandre Vannucchi Leme”
Frente de Defesa aos Ameaçados de Morte
MML – Movimento Mulheres em Luta
MMM – Marcha Mundial das Mulheres
Mopat – Movimento Palestina para [email protected]
Movimento Mães de Maio
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos
Stop the Wall
Tribunal Popular da Terra
Tribunal Popular: o Estado brasileiro no banco dos réus
União da Juventude Pró-Palestina do Brasil