Via Marcha Mundial das Mulheres
Com o mote nacional e unificado “Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1!”, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e outras organizações e movimentos sociais ocuparam as ruas de todo o Brasil neste 8 de março de 2026. Do Norte ao Sul do país, marchantes saíram em caminhadas, atos políticos, feiras de economia solidária, rodas de conversa e atividades culturais para reafirmar a luta das mulheres.
Foram cerca de 70 atos espalhados em todo o Brasil, entre os dias 7 a 14 de março. A MMM participou da mobilização em 21 estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
Acesse aqui o conteúdo do jornal da MMM para este 8 de março.
O processo de articulação nacional do 8 de março envolveu 42 organizações feministas, de mulheres, movimentos mistos e setoriais de mulheres das centrais sindicais e partidos do campo da esquerda. O Manifesto Nacional do 8 de março de 2026 recebeu 436 adesões de 141 organizações nacionais, 36 regionais, 132 estaduais e 127 municipais/ locais. Além disso, no dia 5 de março, movimentos e organizações da articulação nacional foram até Brasília entregar ao governo brasileiro um documento de propostas e reivindicações para a vida das mulheres em uma audiência pública com o Ministério das Mulheres e a Secretaria Geral da Presidência.
O documento pauta o enfrentamento às violências sistêmicas às quais as mulheres são submetidas; o fim da escala de trabalho 6×1, com a defesa da reorganização e socialização do trabalho doméstico e de cuidados na sociedade; e a reivindicação urgente por um basta nos casos de feminicídio, lesbocídio e transfeminicídio.
Feminismo anti-imperialista e internacionalista
As mulheres conectam a luta por uma vida livre de violência com o acirramento da luta anti-imperialista, a defesa da democracia e da soberania popular. As mobilizações também expressaram solidariedade feminista internacionalista aos povos que resistem aos conflitos armados e às ofensivas dos EUA ao redor do mundo.
Mais de 110 mulheres vindas de movimentos sociais, coletivos e partidos de esquerda da América Latina e da Europa participaram do primeiro encontro das Brigadas Internacionais das Mulheres Cilia Flores pela Paz, realizado na Venezuela entre 6 e 8 de março de 2026. A Marcha Mundial das Mulheres marcou presença com companheiras da Argentina, Brasil, Cuba e El Salvador, além da Venezuela. A programação incluiu visitas às comunas atingidas por ataques, conversas com lideranças comunitárias, intercâmbio de experiências, acompanhamento ao processo de consulta popular comunal e ato no Dia Internacional de Luta das Mulheres.
Na declaração internacional de 8 de março deste ano, a Marcha Mundial das Mulheres segue condenando as violências do capitalismo racista, patriarcal e colonialista, o genocídio em Gaza, os ataques ao Irã, a intervenção na Venezuela, o bloqueio contra Cuba, a escalada da militarização no Caribe, os conflitos na África e na Ásia, a ocupação do Saara Ocidental, a crise climática. Denunciaram o discurso que apresenta a guerra como ato em prol da salvação das mulheres, assim como os governos fascistas que criminalizam movimentos sociais e atacam direitos. Também trouxeram à memória Yanar Mohammed, militante assassinada no Iraque naquela semana, reafirmando que a paz verdadeira e a liberdade só podem ser conquistadas por meio das lutas feministas populares, da soberania popular e da autodeterminação dos povos, e nunca por intervenções militares.
No estado de São Paulo, as mulheres da MMM Campinas organizaram um ato na manhã do 8 de março, antes de seguirem para o ato na capital. Mulheres de Campinas e região mobilizaram o ato na Avenida Glicério. A mobilização contou com a participação do bloco “Vai para Cuba” junto às músicas da batucada da MMM. Em fala durante o ato, a MMM destacou como a conjuntura atual afeta diretamente a vida das mulheres e a importância de defendermos nossa soberania popular, democracia, contra o imperialismo e pelo fim da escala 6×1. Mudar a vida das mulheres é mudar o mundo!
Na capital paulista, nem a chuva impediu que as mulheres fossem às ruas em um ato estadual unificado “pra fazer revolução!”. O ato reuniu militantes da MMM da capital e região metropolitana (Guarulhos, Osasco, ABCDCRR), Peruíbe, Ubatuba, Ilhabela, Campinas e região e Vale do Ribeira. Milhares de mulheres se concentraram às 14h no MASP, na Avenida Paulista, e caminharam até a Praça Roosevelt. O mote “Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia e soberania popular, pelo fim da escala 6×1! Fora Trump e Tarcísio!” marcou a mobilização. A companheira Paula pautou nossas reivindicações sobre o enfrentamento dos povos e mulheres frente às violências sistêmicas, que no Estado de São Paulo são reforçadas pela gestão do governo Tarcísio. Paula também destacou a importância da uma abordagem ampla, que inclua educação popular e feminista para crianças, juventudes e toda sociedade, respeito à diversidade sexual e de gênero e enfrentamento à desigualdade no trabalho doméstico e de cuidados e que, por isso, o fim da escala 6×1 é urgente, para garantir melhores condições de vida e de trabalho para as mulheres.
“A gente não pode esquecer que a violência contra a mulher atinge especialmente as mulheres negras e pobres.Também não podemos apagar as violências que as mulheres lésbicas, bissexuais e transsexuais sofrem cotidianamente e sistematicamente. Por vezes sofrendo com ataques cruéis e não são visibilizadas nas mídias e nas estatísticas”. As mulheres pautaram a conexão do cenário local com o internacional, denunciando o imperialismo e as intervenções dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, em especial as ameaças à Venezuela, e reafirmando a defesa da soberania popular.
No próximo sábado (14) ainda acontece o ato da região do ABCDRR (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires).
Clique aqui para conferir o 8 de março da Marcha Mundial das Mulheres em 21 estados do Brasil.








