O livro é um resultado do projeto GENgiBRe, “Relação com a natureza e igualdade de gênero. Uma contribuição à teoria crítica baseada em práticas e mobilizações feministas no Brasil”. Esse projeto foi desenvolvido graças a uma parceria entre várias instituições do Brasil e da França: Institut de Recherche pour le Développement (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, IRD, França), Universidade Federal de Viçosa (UFV, Brasil), Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA–ZM, Brasil), Sempreviva Organização Feminista (SOF, Brasil) e Universidade de Toulouse Jean Jaurès (UTJJ, França). Recebeu financiamento da Agence Nationale de la Recherche (Agência Nacional de Pesquisa, ANR, França; projeto ANR-20-CE41-0002-01).
A publicação é organizada por Natália Lobo e conta com contribuições de Alair Ferreira de Freitas, Alessandra Bernardes Faria Campos, Cathy Chatel, Clara Teixeira Ferrari, Hélène Guetat-Bernard, Héloïse Prévost, Irene Maria Cardoso, Isabelle Hillenkamp, Larissa Mies Bombardi, Liliam Telles, Luana de Pádua Soares e Figueiredo, Miriam Nobre, Roberta Cardoso, Sarah Luiza de Souza Moreira e Sheyla Saori Iyusuka. Está organizada em três grandes partes: partimos de uma contextualização da experiência das mulheres agricultoras e da análise reflexiva de nossas relações com elas, para uma compreensão das ameaças e dos conflitos ambientais, para, enfim, evidenciar as resistências baseadas na agroecologia.
Três capítulos compõem cada uma das três partes principais, totalizando nove capítulos. O primeiro descreve nossa posição a campo, apresenta nossas metodologias e justifica nossa posição epistemológica, decorrente das propostas feministas. Nos capítulos 2 e 3, são apresentados respectivamente a história dos territórios e as ameaças e resistências que os atravessam, adotando o ponto de vista das agricultoras a partir de entrevistas coletadas por meio das metodologias do projeto e de uma perspectiva socioambiental que coloca a reprodução da vida no centro da atenção.
Com base nisso, os capítulos 4, 5 e 6 abordam a experiência das agricultoras em relação a três tipos de ameaças: agrotóxicos e sementes transgênicas, trazidos pelo modelo agrícola dominante e presentes no cerne da agricultura familiar; mineração, penetrando também nas terras da agricultura familiar; e políticas e projetos de preservação e compensação ambiental, entre proteção, oportunidade e ameaça de perda de autonomia. Os capítulos 7, 8 e 9 revelam as resistências e o significado da agroecologia nesse contexto, sob o triplo ângulo das práticas de gestão agrícola, das relações econômicas e da construção da agrobiodiversidade, bem como das práticas e do trabalho de cuidado, mais uma vez em sua dimensão socioambiental.
Estruturado de forma cuidadosa, o livro explora, portanto, as vivências das mulheres agricultoras por meio de estudos de caso detalhados, enraizados em metodologias participativas que destacam a importância da reprodução da vida e suas interconexões com a natureza e a economia. Ao articular teoria e prática, oferece uma compreensão profunda das dinâmicas de gênero e poder na agricultura familiar, lançando luz sobre os desafios enfrentados pelas mulheres, como ameaças ambientais e práticas econômicas dominantes. Mais do que um estudo acadêmico, o livro pode ser instrumento para catalisar uma mudança substantiva ao evidenciar as resistências das agricultoras por meio da agroecologia, demonstrando como essas práticas não só sustentam a biodiversidade agrícola, mas também fortalecem comunidades e promovem formas alternativas de desenvolvimento baseadas no cuidado e na sustentabilidade. Assim, ao oferecer uma análise profunda e acessível, o livro se posiciona como uma ferramenta para inspirar políticas públicas mais inclusivas e fortalecer movimentos sociais em prol de um futuro mais justo e equitativo para todos, especialmente para as mulheres agricultoras.


