O SESC 14 Bis realizou, ao longo de um mês, uma série de feiras aos domingos, acompanhadas de atividades educativas e rodas de conversa trazendo temas relacionados aos cuidados com os territórios, agroecologia, soberania alimentar e economia solidária. A RAMA (Rede Agroecológica de Mulheres da Agricultoras da Barra do Turvo) foi um dos grupos convidados junto da SOF Sempreviva Organização Feminista a participar em dois encontros, um em julho (20) e outro em agosto (24).
Em julho, a discussão com o tema “Territórios – luta por qualidade de vida”, foi facilitada por Bruna Massis, da SOF, e girou em torno da organização das mulheres, e a RAMA foi convidada a compor a roda de conversa. As agricultoras Suzana e Vanilda, da RAMA, compartilharam suas experiências: Suzana Camargo, produtora de búfalas, e Vanilda Santos, agricultora de agrofloresta em um quilombo. Elas falaram sobre a história da RAMA, o funcionamento do coletivo, o manejo da produção e o protagonismo feminino. O público, formado em sua maioria por pessoas do bairro e frequentadores das feiras, demonstrou interesse nas trajetórias das agricultoras.
Ja no último domingo (24), a roda de conversa “Terras Cultivadas, Direitos Afirmados”, reuniu mulheres da RAMA, como Luzia (Grupo Esperança) e Dolíria (Grupo As Perobas), além de Carmen Silva, liderança do Movimento Sem Teto do Centro, da Ocupação Nova de Julho. A mediação foi de Natália Lobo, da equipe da SOF.
O encontro teve como objetivo compartilhar experiências sobre como a agroecologia pode ser uma forma de afirmação e ocupação popular do território. As falas mostraram que a produção agroecológica de alimentos ela está diretamente ligada à luta pelo direito à à terra, aos territórios, modos de vida, direito à cidade, à moradia e à preservação de espaços coletivos.
Carmen destacou que, na Ocupação Nova de Julho, nunca se pensou em usar todo o espaço apenas para moradia. Desde o início, a manutenção das áreas verdes foi vista como fundamental. Nesse sentido, a horta comunitária tem papel central: garante segurança alimentar, fortalece alianças com outras organizações do território e serve como espaço educativo, com práticas como o cuidado da composteira.
As mulheres da RAMA também compartilharam suas trajetórias, explicando como a agroecologia é uma forma de resistência frente ao avanço de unidades de conservação excludentes, que defendem a natureza sem a presença humana, e ao avanço do agronegócio e de grandes empreendimentos. Para elas, ocupar o território por meio da produção agroecológica é também afirmar outro modo de relação com a natureza.
O público fez perguntas sobre políticas públicas para mulheres do campo, além de demonstrar interesse em conhecer melhor iniciativas de comercialização, economia solidária e formas de participação em projetos agroecológicos na cidade.
Fortalecimento da conexão campo – cidade
Um dos pontos fortes da iniciativa, foi justamente aproximar moradores da cidade do trabalho das agricultoras, permitindo um contato direto com suas histórias e modos de produção. Além disso, a RAMA e a Rede Esparrama aproveitaram a oportunidade para divulgar os grupos de consumo solidário existentes em São Paulo, que permitem o acesso mensal aos produtos da agricultura familiar, segundo compartilhou, Bruna.
Essa divulgação despertou o interesse de novas pessoas a participarem do grupo de consumo da região central da cidade, que está em processo de reativação. Assim, a participação da RAMA contribuiu não apenas para fortalecer os vínculos entre campo e cidade, mas também para ampliar a rede de consumidores conscientes.
Fotos: Bruna Masis/ SOF







