Durante o segundo dia do intercâmbio anual da Rede de grupos de consumo Esparrama e da Rede Agroecológica de Mulheres Agricultoras da Barra do Turvo, Rama, as mulheres participaram de uma tarde de oficina para refletir e debater os conflitos territoriais vivenciados na região do Vale do Ribeira.
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A oficina partiu de um estudo conduzido pela pesquisadora Yasmin Schibata, da Marcha Mundial das Mulheres, sobre a implementação da política de unidades de conservação no Vale do Ribeira e os conflitos que essa política gerou com comunidades que já viviam nesses territórios antes da criação dos parques. A atividade articula soberania dos povos e defesa dos bens comuns, colocando a organização das mulheres da Rama e da Esparrama em diálogo direto com a disputa pelo territórios e os modos de vida das comunidades na região.
Suzana Camargo, Dieny Ellen Amorim e Jane Santos, representando as mulheres quilombolas e agricultoras familiares da Rama, também contextualizaram a partir de como as mulheres tem percebido as disputas territoriais, ameaças e formas de resistência.
Após este momento, as mulheres se sentaram diante de mapas do município da Barra do Turvo para marcar, território por território, onde estão as ameaças e onde estão as forças que sustentam seus modos de vida.
Nos relatos, as mulheres compartilharam as situações vividas pela comunidade com a elaboração do plano de manejo da unidade, conduzida pela Fundação Florestal por meio de oficinas que, segundo os relatos, usam linguagem pouco acessível e não abrem tempo suficiente para que a própria comunidade questione e construa suas posições. Diante desse processo, a comunidade tem contado com o apoio de organizações como a SOF e o Instituto Socioambiental (ISA) para elaborar um plano de manejo a partir da vivência e da visão das próprias famílias.
Agricultoras que vivem no Parque Estadual do Rio Turvo, trouxeram outro histórico de tensão com a mesma unidade de conservação: expulsão de famílias, multas e receio de produzir, num processo de criminalização da agricultura que tem esvaziado o território sob pressão da Fundação Florestal.
Divididas em grupos mistos, mulheres de diferentes grupos da Rama e integrantes dos grupos de consumo de São Paulo da Esparrama, registraram nos mapas as denúncias, situações de conflito que gostariam de tornar públicas, e os anúncios, elementos que sustentam a permanência das famílias no território. A escolha de misturar mulheres da cidade e do campo em cada grupo teve o objetivo de que as integrantes da Esparrama compreendessem, a partir do relato das agricultoras, os conflitos territoriais vividos no município.
Essa foi uma das atividades que marcou o intercâmbio anual da rede. A comercialização dos produtos agroecológicos entre a Rama e a Esparrama, apontam a importância da permanência das comunidades em seus territórios.
O processo de construção do plano de manejo da RDS a partir da vivência das próprias famílias segue em curso, com o acompanhamento da SOF e do ISA junto às comunidades da Rama.














